Comecei na cerâmica em setembro de 2024. Desde então, já moldei mais de 200 peças, uma a uma, aprendendo em cada etapa.
A cerâmica apareceu na minha vida em um momento em que eu precisava desacelerar. Comecei como quem busca um tempo para si, sem pressa, só para respirar. E acabou virando parte da minha rotina e da minha forma de viver.
Meu primeiro contato com a cerâmica aconteceu durante uma exposição na sede da BASF, em São Bernardo do Campo. Eu estava lá representando a ONG Human Hand, que fundei há sete anos.
Foi nesse evento que conheci as peças da Rede Balsear e me encantei com a força e a delicadeza da cerâmica. Ali também conheci a Ana Lúcia, ceramista da região do Riacho Grande, com quem tive minha primeira experiência prática com o barro.
Algum tempo depois, fui buscar aprender mais. Fiz um curso básico com Ana Lúcia e, mesmo sendo uma introdução simples, foi o suficiente para abrir meu olhar e despertar em mim a vontade de seguir nesse caminho. Ali percebi que havia encontrado algo de que realmente gostava.

Eu e a Ana nos encontramos novamente durante a Feira do Artesanato da ACISA, realizada na sede da Scania. Estávamos em momentos diferentes, mas conectadas pela cerâmica e pelo afeto que esse caminho traz.
Mais adiante, conheci a ceramista Magali Ercolin, mestre artesã com mais de 25 anos de trajetória. Com ela aprendi que trabalhar com o barro é mais do que moldar formas. É escutar, observar, aceitar os erros e respeitar o tempo do processo.
Suas peças, feitas em faiança e com forte carga simbólica, me mostraram outro caminho dentro da cerâmica, mais profundo e mais intuitivo.
A prática me levou naturalmente até a tradição japonesa da cerimônia do chá, o Chanoyu, que me inspira profundamente. Foi daí que nasceu a ideia da minha primeira coleção: peças simples, com textura crua, esmaltes feitos com cinzas de madeira e café.
Sempre fui apaixonada pela cultura japonesa. Andar pela Liberdade, em São Paulo, é algo que faço há anos. Gosto do clima calmo, dos detalhes e da forma como tudo parece feito com atenção.
Foi lá que fiz um curso com o chef Renan Zonta Braga, da Nagoya Sushi School, e aprendi que até o preparo de um sushi tem uma filosofia por trás. O corte certo, o silêncio e o respeito pelo alimento.

Eu e o chef Renan Zonta Braga durante o curso de sushi na Nagoya Sushi School. Uma experiência que me ensinou sobre atenção, respeito e silêncio, valores que também levo para o barro.
Eu sempre fui muito ativa. Administro empresa, toco projetos e trabalho na ONG. Mas foi na cerâmica que encontrei um lugar diferente. Um lugar onde o tempo anda mais devagar e tudo pede atenção.
Ainda estou aprendendo. Tenho vontade de entender mais, testar mais, errar e tentar de novo. Não tenho pressa, mas tenho muita vontade.
Esta página é o começo de algo que ainda está crescendo dentro de mim.
Seja bem-vindo.
Se quiser acompanhar esse caminho, estou no Instagram @renatacatena.art